30 de set. de 2006

Buscando Você


Vou sem medo vestida do amor tão seu.
Busco nas ruas, nos mares,
nos sonhos sem fim,
pela face do amor que a vida me prometeu.
Entrego-me ...
Sou canção nos lábios
que proferem as rimas de velhos versos.
No corpo, a paixão...
Sou o vento buscando pouso com suas asas,
com suas mãos,
tão fortes que me tomam por sua
e que tão bem meu corpo abraçou.
Ah!
Pudera entrelaçar minh'alma à tua,
Sentir seu corpo nu,
aquecido pelo meu.
Toca meus cabelos,
descobre os pontos exatos de uma geografia apaixonada,
Faz-me santa no altar
onde virtude é apenas um corpo em fogo
queimando em seus braços.
Pudera estar agora no centro do corpo que quero
Dançar na musicalidade da hora que pára os ponteiros
onde o relógio e o tempo são apenas nosso ninho de amor.
Sigo as entrelinhas de mim...

São curvos os caminhos que demarcam a boca que beijei;
Busco na noite os lábios onde os meus repousei
para acordar no corpo do homem
que em desejos, esperei...


Aisha

29 de set. de 2006

Segredo


Não contes do meu vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o anel
ao redor do teu pescoço
com as minhas longas pernas
e a sombra do meu poço


Não contes do meu novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço com eles
a fim de te ouvir gritar.


Maria Teresa Horta

O que eu quero

Tantas vezes tenho dito que te quero,
mas tenho errado nas palavras!

Não é a ti que eu quero ...

É ao teu corpo em fúria,
ardendo de desejo,
que pelo meu busca e ateia loucuras.

O que quero é o teu corpo!
Que ele se cole ao meu
que esfregue e rasgue
que o incendeie e o umedeça
até à exaustão!

24 de set. de 2006

Amar Você

Amo amar você assim,
viajando,
à deriva no tempo,
sem regresso.



Lydia Alfonso
-
-

Serenata

Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.

Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.

Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.


Cecília Meireles



23 de set. de 2006

Abraço

Beijo-te ...

Agora vou dormir ...
E adormecerei pensando em tudo que vivi hoje ao seu lado.
Vou adormecer contigo no pensamento.
Dorme bem você também...
e leve consigo
o abraço que te darei....
o abraço no qual doarei pedaços de mim,
para você!

Roses

Espera







Adivinhar o corpo
Imaginar a pele
Antecipar o gesto
E saber na espera
o sabor do desejo intacto
do prazer secreto
e do reencontro
Num lugar só meu.





Saciez

Vem! Insulta-me!
Sente a minha pele
e cria o meu sonho mais fiel.
Respira comigo no chão,
nesta estrada aonde cresce a noite
e me fazes teu.

Escorre do meu peito
e provoca-me o pânico.

Vem! Sê cruel!
Morde-me! Beija-me!
Tens o poder na boca.
Descobre a fonte do meu mel.
Todos os meus músculos se destendem agora.
Em carícias improvisadas.
Provocas o animal entre os teus lábios
num vai e vem doce.
Vem! Atreve-te!
Em breve o licor se espalhará sobre ti.
“Toma! Aí o tens!”

Olho-te nos olhos
e como estás saciada!
Suspiro, tremo e beijo-te sem pressa.

Adormecemos juntos,
serenos, em silêncio.



Busca Silenciosa


Não quero ter que te dizer nada
Quero apenas que junte o teu corpo ao meu
e nele me refugie;
Quero desvendá-lo sem precisar de palavras.
Apenas com a boca,
com as mãos,
com a minha pele quente na tua.
Quero percorrer o teu corpo
em busca de sabores por descobrir
e de prazeres por inventar
Quero sentir-te em mim, louco,
sem limites
perdido no teu prazer e no meu
Quero por fim,
repousar num abraço adormecido
de corpos saciados
e de almas em acalmia



Delírio


"É então chegada a hora em que o sono aparece, mas algo destabilizante e perturbador me abana e quase me desmorona.
Já é tarde e a tua pessoa não deveria entrar pela porta do meu quarto. No entanto posso continuar a fingir que durmo. E faço-o.
Vens tu e pousas a tua mão (que nunca senti) sobre os meus cabelos.
Um arrepio percorre-me a espinha e sinto uma vontade e um desejo de acordar repentinamente para ver a finalização desse teu toque.
Mas deixo-me estar....
Agora percorres-me os braços.. é bom sentir-te (sem o sentir).
Agora sim, acredito que, para o meu mal, te sinto mesmo nunca o tendo feito na realidade.
A imaginação apoderou-se de mim e, finalmente, consigo distiguir tudo.
Não és tu e eu.
Aqui, sou somente eu ... e tu ausente.
Mas continua a vontade de te ter.
Talvez diga tudo isto por já ser tão tarde,
e de tão tarde, já não digo coisa com coisa."