22 de set. de 2006

Desperta do Sono


Não quero adormecer
e perder o encanto,
a mágica de te amar.
Quero permanecer acordada
para te transmitir todo o meu desejo, toda minha ânsia de te amar.
Em ti concentro toda a minha energia
e entrego-me a este amor
que me completa,
e onde projeto meus sonhos
e a alegria de vê-los realizados.
Não quero adormecer
porque estás dentro de mim
e eu, em ti
numa união sem limites.
Onde o real se sobrepõe ao irreal.
Onde a procura chegou ao clímax
e a busca deu-se por vencida.
Na tentativa de encontrar meu sonho, encontrei-te e fiquei pasma de amor.
E assim desejo permanecer
enquanto for desejada por ti.





18 de set. de 2006

Desejos


Quero me entregar aos seus beijos cheia de desejos
O meu corpo no seu roçar,
Minhas pernas entrelaçarem num gemido sufocante.
Jogo de amantes...
Sentir suas carícias, que delícia,
Nessa eterna madrugada.
Sou sua menina faceira, sua amada,
Sem barreiras.
Só quero te amar...
É a loucura mais sensata.
Esse amor que as vezes me mata
Amor impulsivo que me consome
Sem ele já não vivo.
Mata minha fome, fome dos seus beijos
Meus desejos, nos seus braços
Quero me deliciar entre abraços
Poder saciar nossos corpos suados
Tal como a chuva que cai.
Suspirando, quero mais
Vivendo esse momento
que mais parece um fogaréu
Com todo meu sentimento
Voando sem rumo, ao céu.
Ermínia

Deixa-me ouvir o que não ouço...


Deixa-me ouvir o que não ouço...
Não é a brisa ou o arvoredo;
É outra coisa intercalada...
É qualquer coisa que não posso
Ouvir senão em segredo,
E que talvez não seja nada...
Deixa-me ouvir...
Não fales alto ! Um momento !...
Depois o amor,
Se quiseres...
Agora cala !
Tênue, longínquo sobressalto
Que substitui a dor,
Que inquieta e embala...
O quê? Só a brisa entre a folhagem?
Talvez... Só um canto pressentido?
Não sei, mas custa amar depois...
Sim, torna a mim, e a paisagem
E a verdadeira brisa, ruído...
Vejo-me, somos dois...

Fernando Pessoa

Ainda não estou preparada ...


Ainda não estou preparada para peder-te
Não estou preparada para que me deixes só...
Ainda não estou preparada
para crescer e aceitar que é natural;
Para reconhecer que tudo tem um principio e tem um final...
Ainda não estou preparada
para não ter-te e somente recordar-te...
Ainda não estou preparada
para não poder ouvir-te ou não poder falar-te...
Ainda não estou preparada
para que não me abraces e para não poder abraçar-te...
Ainda te necessito...
Ainda não estou preparada
para caminhar pelo mundo perguntando-me...- porque?
Não estou preparada hoje nem nunca estarei...
Te necessito...



Pablo Neruda



Nada a declarar


17 de set. de 2006

Desculpa-me


Desculpa-me por não ter impedido minha emoção de sobrepor-se à minha razão;
Por ter me portado apenas
como um ser comum
quando me achavas
tão especial e sensata!

Desculpa-me por ter tanto medo do amor
E por amar tanto quanto é possivel amar!

Desculpa-me por ter deixado esse amor
passar na minha vida como um vendaval.
Por ter entrado na sua vida
como uma tempestade...
tirando tudo do lugar!

Desculpa-me por não ter forças
para arrumar a bagunça;
Por olhar os destroços causados
e ainda assim mantê-los intocáveis!

Desculpa-me...
por ter deixado minha vida seguir com a razão
enquanto meu coração pulsa apenas por você!


Beatriz

16 de set. de 2006

Sem Amarras

-
Não tente entender-me.
Sou como o vento, não tenho destino. Apenas passo...
Aproveite a brisa.
Não me prendas, não me possuas.
Sou como a água,
Se presa, evaporo.
Mate apenas tua sede.
Não tente guardar-me.
Não me aprisione.
Sou como as flores,
Colhida feneço.
Guarde-me o perfume.
Não me descreva, não me modifique.
Sou como um sonho,
Uma ilusão
Não me acompanhe, não tente seguir-me.
Sou como um cometa solitário.
Apenas admire-me...
Neste momento, então,
Serei poeta
Tua poeta.

-

Murmúrio


Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- Vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- Vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho- amor.

Cecília Meireles

Quando te deitas

Quando te deitas desse jeito,
Com o corpo a transpirar de cio,
Sei que queres que apague no teu rio
O fogo que tenho no meu peito.
Então os nosso corações, amor,
Batem ritmados
De tal modo acelerados
Que mais parecem rufos de tambor.
E há beijos, meu Deus!
Teus lábios mordendo os meus,
Que sangram desejos
De mais beijos.
Minhas mãos acariciam os teus seios....
Sinto a tua pele arrepiada...
E teus dedos em feliz caminhada,
Já não sei que parte do meu corpo é que tateiam.
E quando num assomo de ternura,
Beijo teus lábios verticais
Parecemos irracionais
Batendo às portas da loucura.
E há gemidos na voz
Quando o amor nos explode a alma.
Depois é um abandono, uma calma,
Como se o mundo fosse feito só pra nós.



15 de set. de 2006

Os Versos que te dou

Ouve estes versos que te dou,
eu os fiz hoje que sinto o coração contente
enquanto teu amor for meu somente,
eu farei versos...e serei feliz...
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E hei de fazê-los pela vida afora,
versos de sonho e de amor,
e hei depoisrelembrar o passado de nós dois...
esse passado que começa agora...
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Estes versos repletos de ternura são
versos meus, mas que são teus, também...
Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
possa perturbar vossa ventura...
-
Quando o tempo branquear os teus cabelos
hás de um dia mais tarde, revivê-los
nas lembranças que a vida não desfez...
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E ao lê-los...com saudade em tua dor...
hás de rever, chorando, o nosso amor,
hás de lembrar, também, de quem os fez...
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Se nesse tempo eu já tiver partido e
outros versos quiseres, teu pedido deixa
ao lado da cruz para onde eu vou...
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Quando lá novamente, então tu fores,
pode colher do chão todas as flores,
pois são os versos de amor que ainda te dou.
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J. G. de Araújo Jorge
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